Sábado, 08 de agosto de 2009

Epidemia Indaiatuba já registra dez casos de Gripe Tipo A, com um óbito.
A Secretaria de Saúde de Indaiatuba informou, ontem, dia 7, através da Assessoria de Comunicação Social da Prefeitura, que Indaiatuba registrou mais dois casos confirmados de contaminação pela Gripe Tipo A, causada pelo vírus H1N1. Com a confirmação destes casos, sobe para dez o número de infectados em Indaiatuba. Destes dez, apenas um se desenvolveu para óbito, no último dia 20 de julho. Os dois novos casos confirmados não estão internados.
Dez também é o número de pessoas que estão descartadas como infectadas pelo vírus H1N1. O número de pacientes com sintomas da gripe e que ainda aguardam resultados laboratoriais subiu para 17, entre elas, cinco estão internados. A assessoria não soube informar em qual hospital cada paciente estava e nem a idade deles.
Dos dez casos confirmados, sete evoluíram para cura. São os casos de um bebê de nove meses, uma gestante de 28 anos, uma criança de sete, um adolescente de 15 anos, um jovem de 24 anos, uma mulher de 21 anos e um homem de 33. O caso que progrediu para o óbito foi de uma mulher de 26 anos, moradora do Jardim Paulista, que faleceu no último dia 20, no Hospital Santa Ignês. As outras duas pessoas confirmadas ainda se mantêm em tratamento, mas estão em casa.
A Secretaria de Saúde informou que desde o início da pandemia, Indaiatuba já teve um total de 83 pessoas monitoradas com suspeitas que vieram ou não a se confirmar como sendo da Gripe Tipo A.
Brasil
No Brasil, o número de mortos pela Gripe Tipo A chegou a marca de 96 óbitos de acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, na última terça-feira, dia 4. Também de acordo com o boletim oficial do Ministério da Saúde, o país tem 9.917 casos suspeitos e 2.959 confirmados.
O boletim também divulgou o número de óbitos registrados no país até a última terça-feira, dia 4, divididos por estado. São Paulo era o que mais contabilizava registros de óbitos no país: foram 38. O segundo estado com mais casos de morte pela nova gripe é o Rio Grande do Sul, que contabiliza um total de 28 mortos. O Paraná vem em seguida com um total de 15 mortos. No Rio de Janeiro foram contabilizadas 14 mortes por Gripe Tipo A; a Paraíba foi a responsável pela primeira morte pela nova gripe na região Nordeste. Estes dados são oficiais, mas extra oficialmente, já é citado que cerca de 167 pessoas já faleceram em virtude da nova gripe em todo o Brasil até a manhã deste sábado, dia 08.
No mundo, apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter divulgado recentemente que não contabilizaria mais o número de pacientes mortos pela nova gripe, já que a doença se espalhara tão rapidamente, o órgão informou, também na última terça-feira, dia 04, que a gripe A matou 1.154 pessoas em todo o mundo. A organização também divulgou que em todo o globo são 162.380 casos confirmados do vírus H1N1. Ainda de acordo com a OMS, 168 países já reportaram pelo menos um caso laboratorialmente confirmado do vírus H1N1. O órgão também informou que todos os continentes já foram afetados pela pandemia.
População reclama de falta de ação de Secretaria de Saúde e precaridade de hospitais
Com o crescimento no número de atendimentos nos hospitais, em virtude da Gripe Tipo A, o aumento de reclamações da população é proporcional. A reportagem recebeu crítica de diversos usuários das unidades de saúde de Indaiatuba em relação ao atendimento, ação da Secretaria de Saúde sobre conscientização da população à respeito da Gripe Tipo A e limpeza dos hospitais.
A comerciante Elisabete Domingues Correia, de 45 anos, reclama da falta de ação da Secretaria Municipal de Saúde em relação à conscientização e orientação da população. “Você não vê cartazes espalhados pela rua, ninguém panfletando nada, principalmente em locais de uso coletivo, como ônibus, que não tem cartazes instrutivos nem outro tipo de orientação”, comenta.
Além desta reclamação, a comerciante também critica o atendimento e principalmente a falta de higiene do Hospital Augusto de Oliveira Camargo. “O atendimento do Haoc já deixou a desejar faz muito tempo e outra coisa absurda é a falta de higiene do local, os banheiros por exemplo são raramente limpos, em um hospital isso não pode acontecer”, relata.
Outro local também criticado pela população são os postos de saúde da cidade. De acordo com a ajudante de costura Cristiane Aparecida Junqueira, faltam até copos descartáveis para se tomar água. “No posto de saúde perto de casa, você precisa levar seu copo descartável se quiser tomar água”, revela.
Resposta
O Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), através de sua assessoria de imprensa, explicou que o aumento no atendimento no Pronto Socorro (PS) da unidade tem sido grande e isso acarreta algumas complicações e atrasos no atendimento, além disso, o Pronto Socorro atende também urgências e emergências, o que pode vir a atrasar algumas consultas.
Para exemplificar, a assessoria divulgou dados comparativos entre janeiro e julho deste ano. Segundo a assessoria, o atendimento teve um acréscimo de 3 mil consultas no mês de julho, ou seja, 100 consultas a mais por dia.
Quanto a limpeza, a assessoria resumiu que o Haoc procura sempre manter o local limpo e arejado, uma vez que o ambiente é propício para contaminações.
A assessoria ainda afirmou que o hospital segue as recomendações da Secretaria de Saúde e assim que o paciente chega ao PS e informa que apresenta sintomas da Gripe Tipo A é feito uma triagem e a preferência é para o grupo de risco, gestantes, crianças e idosos, logo é colocada uma máscara que fica na recepção.
Já a Secretaria de Saúde de Indaiatuba informou, através da Assessoria de Comunicação Social da Prefeitura, que já está em curso uma campanha de conscientização e orientação à população, com cartazes em locais públicos, como o paço municipal e postos de saúde, bem como a divulgação de anúncios em jornais e spots de rádios orientando a respeito da doença. A assessoria também informou que cartazes em ônibus serão fixados em breve.
Em relação à falta de copos nas unidades básicas de saúde, a assessoria confirmou que o problema realmente aconteceu na Unidade Básica de Saúde 9, no Centro da cidade. O problema foi causado devido à demora no registro de compra dos novos itens, mas que o problema já foi sanado pela Prefeitura.
Equipe é barrada e ameaçada no Haoc
Após coletar depoimentos dos usuários do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc) e o fotógrafo Ricardo Miranda registrar fotos, a equipe de reportagem, ao sair da recepção do hospital, foi barrada na saída do prédio. Uma equipe composta por um segurança, um médico e uma enfermeira alegou que era proibido fotografar na parte interna da unidade e exigia que as fotos fossem apagadas.
O grupo alegava que o hospital não era de caráter público e que não podia expor os pacientes que estavam aguardando na recepção. A assessoria de imprensa do Haoc também acusou a reportagem de “invadir” a recepção do hospital sem autorização prévia. A reportagem teve que explicar o motivo da presença na unidade hospitalar e no meio da discussão, acabou sendo ameaçada pela enfermeira Márcia.
O teor da ameaça foi impulsionado pelo fato do diretor superintendente do jornal Tribuna de Indaiá, José Luiz da Silva Miranda, estar internado no Haoc na última quarta-feira, dia 5. A enfermeira utilizou-se desta situação para fazer uma ameaça contra a reportagem. Primeiramente a enfermeira questionou: “Sabia que seu patrão está internado aqui com a gente?”. E logo depois completou: “Quer acabar de matar já?”.
A enfermeira queria que a equipe se reunisse com um dos diretores administrativos do hospital para que ele autorizasse ou não a divulgação das informações e das fotos coletadas no local. O grupo alegava que a equipe deveria pedir autorização para colher depoimentos e registrar fotos do local.
Após diversos contatos telefônicos, foi acertado que o impasse seria resolvido entre a direção do jornal e a direção do hospital, com a equipe de reportagem sendo liberada.
Creche Pingo de Gente vira unidade para atender crianças em situação de risco
A Creche Pingo de Gente, localizada na Rua Abraão João Ferrarezzi, no bairro Cecap II, foi escolhida como Unidade Polo para atendimento de crianças consideradas em situação de risco, que é quando os pais não têm com quem deixá-las no período em que as creches estiverem com atividades suspensas para evitar a proliferação da gripe H1N1. Por enquanto, apenas duas crianças estão sendo atendidas no local.
Segundo informou a diretora do Departamento de Educação Infantil da Secretaria Municipal da Educação, Jeanete Escodro, a creche foi escolhida por estar localizada em uma região considerada central, facilitando o acesso dos pais e também dos funcionários que acompanham as crianças. “Para que a criança não estranhe o novo ambiente, tivemos o cuidado de designar a monitora que atende a turma dela para acompanhá-la na nova creche durante este período”, informa.
A princípio, cinco mães procuraram as coordenadoras das creches municipais onde seus filhos estão matriculados para informar que precisariam de atendimento porque não tinham com quem deixar os filhos, mas, na segunda-feira, dia 3, apenas duas crianças foram levadas até a Unidade Polo. “Uma assistente social da Secretaria Municipal da Família e do Bem Estar Social fez visitas às três mães que não levaram as crianças à creche para acompanhar os casos”, esclarece Jeanete.
As coordenadoras das creches estão orientadas a encaminhar as mães que procuram por atendimento às coordenadoras dos Centros de Referência em Assistência Social (Cras) que atendem os bairros ou diretamente com o plantão da Secretaria da Família e do Bem Estar Social, que irá avaliar a necessidade do atendimento. “Vamos avaliar se a mãe realmente não tem com quem deixar a criança. Se não tiver, a criança será atendida, mas somente as crianças em situação de risco, assim definidas pelo Conselho Tutelar”, salientou a secretária da Família e Assistência Social, Vera Lúcia Lorenzetti Canali.
Decisão
A decisão de deixar uma creche à disposição para atendimento dos casos de extrema necessidade foi tomada no dia 30 de julho, durante uma reunião entre a secretária da Família e do Bem Estar Social, a secretária da Educação, Jane Shirley Escodro Ferretti, e com a coordenadora do Conselho Tutelar, Izilda Angelina Pessagno.
A Prefeitura Municipal de Indaiatuba decidiu adiar o retorno das aulas de toda a rede municipal de ensino e também suspendeu provisoriamente o atendimento nas creches seguindo uma orientação da Secretaria Estadual da Saúde, com o objetivo de evitar a proliferação da nova gripe. A previsão é de que os estudantes voltem às aulas somente em 17 de agosto.
Quem também prorrogou a volta às aulas para o próximo dia 17 foi o Colégio Integral e a Faculdade Max Planck. Na escola e na faculdade, os alunos que voltarão às aulas na próxima segunda-feira, dia 10, será apenas os pré-vestibulandos (3º ano do ensino médio).
Foto: Ricardo Miranda